Entidades denunciam as péssimas condições das USF do Recife

coletiva-cremepeO Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) divulgaram o resultado da segunda edição da Caravana nas Comunidades, nessa terça-feira (04). O balanço anunciado pelos caravaneiros expôs a realidade precária na fiscalização dos serviços públicos das unidades de saúde da família (USF), hospitais e maternidades de 15 comunidades do Recife, durante os dias 22 de abril a 27 de maio.

O projeto percorreu nas localidades em três fases. A primeira delas, no Cabanga, Alto do Pascoal, Morro da Conceição, Carangueijo Tabaiares e Arruda. A segunda parte no Pina, Linha do Tiro, Alto José Bonifácio, Vila da Felicidade e Chão de Estrelas. Por fim, a última etapa no Bongi, Torrões, Chico Mendes, Jardim São Paulo e Dancing Days. Nos lugares, as deficiências encontradas pelos integrantes refletem na infra-estrutura, na insuficiência de materiais, na falta de medicamentos, como no déficit de médicos especialistas em algumas áreas, como cardiologia, neurologia, psiquiatria, ortopedia e reumatologia para assistência dos usuários. Ainda, quatro áreas estão descobertas de unidades de saúde.

De acordo com o médico fiscal do Cremepe, Otávio Valença, a estrutura física das comunidades são inadequadas para as normas padrão de qualidade e assistência continuada dos pacientes. “Elas funcionam de forma regular, algumas tem um serviço melhor em algum critério, mas em outros deixam a desejar. A maioria delas funcionam com duas equipes médicas, com sala de arquivo inadequada, sem sala de curativos apropriada para feridas infectadas, como para coleta de exames e para pré-consulta do auxiliar de enfermagem. São algumas situações problemáticas descritas em relatório, como o caso de três agentes comunitários de saúde com desvio de função”, demonstra.

“Recife possui 100 comunidades carentes, já visitamos 31 delas, sendo que, 16 no ano passado e 15 neste ano, logo esperamos chegar ao número de 50 para constatar com dados, o que observamos que a capital não tem 26% de área de cobertura municipal. Nas USF’s faltam profissionais, receituários, esparadrapos e remédios, que pela Lei Federal de número 8.080, as instituições públicas federais, estaduais e municipais devem garantir assistência farmacêutica, expõe o coordenador da iniciativa, Ricardo Paiva.

Dados sobre o questionário da pesquisa de rua acerca da qualidade de vida da população, sobre os temas de combate a violência contra a mulher e uso de drogas, diversão, educação pública, transporte público, habitação, coleta de lixo e homofobia foram apresentados pelo diretor do Simepe, Silvio Rodrigues. “40 usuários opinaram sobre cada aspecto da comunidade, através dos dados colhidos chegamos a uma conclusão que a percepção da população é negativa, pois 54% dos entrevistados apontaram tanto na atenção básica como nos serviços avançados a situação defasada que a saúde encontra nestes 150 dias da nova gestão da Prefeitura do Recife”, concluiu.

Na oportunidade, ainda foi mostrado um vídeo com o grupo de Teatro de rua da Caravana Cremepe e Simepe, que levou muita alegria e animação com conteúdos informativos sobre cultura de paz, entre outros temas, ao cotidiano dos moradores das regiões, que participaram das rodas de debates promovidas pelos atores.

PONTOS POSITIVOS

Nas comunidades, o destaque para os projetos sociais: Cacau, no Pina, e Daruê Malung, na Chão de Estrelas; que também ressalta pela biblioteca comunitária, a exemplo da Carangueijo Tabaiares. Sendo que esta última, junto com a do Morro da Conceição receberam o título de melhores unidades na área de infra-estrutura.

Participaram do evento, em plenária, na sede do Cremepe, presidente do Conselho, Helena Carneiro Leão, presidente do Simepe, Mário Jorge Lobo, presidente da Associação Pernambucana de Medicina de Família e Comunidade (APEMFC), Verônica Cisneiros , e as coordenadoras do projeto, Fernanda Soveral e Rafaela Pacheco.

Fonte: Assessoria de imprensa do Cremepe

É preciso saber viver a realidade no Alto José Bonifácio

Alto José Bonifácio. Foto: Antonio Douglas / Simepe

Alto José Bonifácio. Foto: Antonio Douglas / Simepe

Nesta quinta-feira, 09 de maio, a Caravana nas Comunidades esteve no bairro do Alto José Bonifácio, Zona Norte do Recife. O Alto José Bonifácio foi desmembrado de Casa Amarela e oficialmente declarado como bairro através da Lei municipal 14.452, de 1988, que redefiniu as coordenadas geográficas e criou os atuais 94 bairros da cidade.  A ocupação do Alto José Bonifácio se deu como a da maioria dos morros da região de Casa Amarela: começou no início do século XX, a partir do aluguel do chão feito por algumas famílias que eram grandes proprietárias de terras no local. Histórias de lutas marcaram a vida da população.

O relógio marcou 15h25, quando a equipe de caravaneiros chegou à comunidade, mais precisamente à Unidade de Saúde da Família Dr. Alcides Codeceira, localizada à Praça Visconde de Sá Bandeira. A unidade foi, inaugurada em 1990 e reformada em 1998.

A equipe observou que as condições de espaço físico e de atendimento aos moradores são precárias.  O espaço e estrutura do laboratório e da sala de vacinação são inadequados. Precisa melhorar e muito. A unidade possui três equipes médicas e 18 agentes de saúde para atender e acompanhar cerca de 3.500 famílias.

Atendimento de saúde

Dona Judite Santana, 70, moradora na localidade há 45 anos, disse que era bem atendida no centro de saúde e que recebia os medicamentos prescritos pela médica. “Aqui tem suas limitações para nos atender em casos de emergência. Mas, resolve em outros” comentou.  Para Simone Dias, 28, o atendimento na área de saúde no Alto José Bonifácio deixa a desejar, ou seja, não é 100%. “Sempre falta alguma coisa. No entanto, a gente não tem outra alternativa. A crise na saúde não é apenas aqui”, afirmou.

Os pesquisadores saíram às ruas para aplicar os questionários de avalição dos serviços prestados à comunidade. A maioria gosta da localidade e, sobretudo, do pequeno comércio que atende a todos.  Mas, reclamaram da violência e do lixo espalhado em trechos do bairro. Do outro lado da avenida principal, o grupo de teatro de rua reunia crianças e adultos em frente à Biblioteca Comunitária Amigos da Leitura” para contar histórias, divertir e conscientizar, com alegria e humor.

Hoje, a biblioteca ocupa o espaço que. no passado foi do clube de futebol Onze Belmonte, conhecido na região por suas festas populares, e faz parte da rede de bibliotecas comunitárias.  O coordenador do projeto na comunidade, Fábio Rogério, informou que atende o público em geral, com prioridade para as crianças, de segunda à sábado em horário comercial.  “Nossos objetivos são de estimular a imaginação e a criatividade como formas de expressão, desenvolver as aptidões de leitura, escrita e escuta, despertar o desejo de ler, escrever, expressar-se, além de promover oficinas sócio-educativas e culturais, e favorecer o fortalecimento das relações, família e comunidade”, destacou.

Lição de realidade

A comunicação rola solta no ar. Uma pequena plateia assiste a encenação do teatro de rua. Ator e atrizes transformam os assuntos como violência contra a mulher, abuso de bebidas, uso de drogas e valorização da mulher, em mais uma lição de vida. Crianças e adultos se divertiram muito. Ao final, muitos aplausos para todos (as). O estudante Eduardo Pereira, 16, ficou feliz com o que viu. “Gostei e aprendi com a turma do teatro. Coisas simples, mas importantes como por exemplo: a violência doméstica, o uso de bebidas e drogas, só trazem problemas dentro e fora de casa”. assinalou. Bem próximo da quadra de esportes, a música da banda Titãs tocava no rádio do taxi.    “Quem espera que a vida. Seja feita de ilusão. Pode até ficar maluco.Ou morrer na solidão. É preciso ter cuidado. Pra mais tarde não sofrer. É preciso saber viver”. A Caravana nas Comunidades mostrou que viver, sobreviver e modificar a dura realidade não são tarefas fáceis. Tudo da vontade de cada um.

A saúde é um direito básico de toda a população, garantido pela constituição brasileira. O artigo 196 da Constituição Federal é bem claro” A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”  Mas na prática, precisar de atendimento médico, exames e medicamentos nas Unidades de Saúde da Família não é tão simples quanto deveria. Filas falta de estrutura e de profissionais são alguns problemas enfrentados pelos moradores do Alto José Bonifácio.

O sol caminhou para o entardecer. O tempo girou e apontou 16h45. É hora de voltar para a sede do Cremepe, no Espinheiro, conscientes de que mais uma etapa foi superada.

Caravana Cremepe Simepe sobe o Morro da Conceição

Foto: Natália Gadelha

Na tarde desta quarta-feira (24/04), a equipe da Caravana Cremepe Simepe visitou a comunidade do Morro da Conceição, localizada na Zona Norte do Recife.

Divididos em grupos, os caravaneiros desenvolveram as atividades de fiscalização do PSF José Bonifácio dos Santos, coleta de informações com os comunitários e apresentação da peça teatral de rua.

Em relação às condições estruturais da unidade de saúde, a equipe avaliou que embora o espaço seja pequeno, os serviços são realizados de forma organizada e que o processo de trabalho desenvolvido pelos profissionais é satisfatório.  “Foi possível perceber que os médicos e enfermeiros conhecem bem os usuários da unidade de saúde, e que estes, demonstram sentir-se acolhidos pela equipe de saúde”, analisou a médica e caravaneira, Verônica Cisneiros.

As entrevistas realizadas pela equipe, com os moradores do bairro, apontam que a violência ainda é algo que precisa ser olhado com mais atenção por parte dos órgãos públicos. De positivo, destacaram a academia da cidade e as opções de laser.

A trupe de teatro da Caravana reuniu crianças na quadra de futebol da comunidade para contar histórias abordando o tema: violência.  A trupe é composta por seis atores que caracterizados de palhaço encenam situações dramáticas como: alcoolismo, violência doméstica e contra a mulher, assédio, exploração, entre outros.  “Me diverti com os palhacinhos. Através do humor eles estão tentando nos conscientizar a combater a violência”, elogiou Cauã Santana, morador do bairro.

O relatório técnico da fiscalização do PSF José Bonifácio Santos e da avaliação da pesquisa sobre a qualidade de vida no bairro será repassado aos órgãos competentes e ao público em geral ao término da Caravana, no mês de maio.

Caravana começa com lição de cidadania no Cabanga

Teatro de rua da Caravana Cremepe e Simepe na comunidade do Cabanga. Foto: Michel Filipe

Teatro de rua da Caravana Cremepe e Simepe na comunidade do Cabanga. Foto: Michel Filipe

Uma lição de cidadania. Assim podemos definir o início da 2ª edição da Caravana nas Comunidades nesta segunda-feira (22.04), no bairro do Cabanga, na Zona Sul do Recife, ação do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe). O projeto mantém o  foco do ano passado, ou seja, fiscalizar as unidades de saúde urbanas e conversar com os moradores das comunidades do Recife O 7º Depósito de Suprimento do Exército, rua General Estilac Leal,  era o ponto de referência para se chegar a dos lados da comunidade do Cabanga,   região de 83,8 hectares, com uma população de 1.536 habitantes e tendo como bairros  vizinhos: São José, Afogados e Pina.

Depois de enfrentar o trânsito com algumas retenções na Avenida Agamenon Magalhães, os caravaneiros chegaram às 15h30 à localidade. Os integrantes do Teatro de Rua, com suas brincadeiras chamaram logo atenção das crianças e adolescentes. Tudo natural. Logo depois a primeira surpresa: a equipe de fiscalização encontrou o PSF (Posto de Saúde da Família) que tem o nome do bairro, estava fechado. Segundo os moradores, a insegurança na área obrigou os funcionários a encerrar as atividades mais cedo.

Realidade social

Do outro lado da avenida principal, os pesquisadores conversaram com alguns comunitários que avaliaram os serviços públicos prestados pelos gestores públicos. Por meio do questionário, a pesquisa pretende identificar a realidade social dos moradores das comunidades. Os cidadãos vão classificar, através de notas aos itens sobre violência contra a mulher, diversão, lazer, qualidade da educação pública, qualidade da saúde pública, transporte público, qualidade da habitação/moradia, uso de drogas, corrupção, coleta de lixo e homofobia.  Ao final, um relatório será entregue às autoridades, entidades sociais e ao Ministério Público’

A constatação de imediato é que o serviço de esgoto sanitário não existe. Tudo é na base da improvisação. A equipe, com 22 pessoas, para chegar ao campo de futebol da comunidade passou por becos e vielas, num labirinto de expectativas. Apesar da pobreza visível aos olhos, os moradores acreditam em dias melhores. Como é o caso de dona Maria do Rosário, 52 anos, proprietária de uma venda de alimentos e bebidas “A gente tem que fé em Deus e sonhar que o outro dia vai ser melhor. É a vida”, confidenciou.

País do futebol

No campo de terra batida, dois times de garotos jogavam futebol. Para eles, era o “manjar dos deuses” e lembrou a música do Skank: “Bola na trave não altera o placar. Bola na área sem ninguém pra cabecear.  Bola na rede pra fazer um gol. Quem não sonhou ser um jogador de futebol?  O Brasil continua sendo um celeiro de craques que estão espalhados  nas comunidades, córregos e alagados deste país.

No outro espaço do campo, próximo da caixa d´água desativada da Compesa, a encenação da peça de teatro. Cinco atrizes e um ator, utilizaram uma  linguagem simples e  direta para se comunicar com a plateia ao ar livre. Os temas discutidos abrangeram sobre violência contra a mulher e a criança, quebra do ciclo de violência, valorização da mulher, mobilização para uma cultura de paz embasada em números clássicos da palhaçaria foram bem entendidos pela comunidade. O garoto Jakson da Silva, 12 anos, disse que era importante ver, aprender e colocar em prática. “ A bebida e as drogas só trazem coisas ruins pra gente. A violência em casa é coisa feia, né”, comentou. No final da apresentação, aplausos e o reconhecimento  de mais uma etapa superada.

Para a atriz a coordenadora-executiva do projeto, Fernanda Soveral, a ideia da peça é  levar informação, arte e cultura às comunidades recifenses, abordando várias questões que estão na ordem do dia, principalmente, a violência doméstica. “A Caravana nas Comunidades  será realizada até o dia 29 de maio, em busca da avaliação da qualidade dos serviços públicos dos postos de saúde, hospitais e maternidades da rede do Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa é a melhor possível. Vamos fazer mais trabalho com atenção e respeito às comunidades”, assinalou.

Os caravaneiros retornaram ao Cremepe no final da tarde.

Confira o cronograma das visitas:

22.04 – Cabanga

23.04 – Alto do Pascoal

24.04 –  Morro da Conceição

25.04 – Tejipió

26.04 – Caranguejo Tabaiares

06.05 – Bode (Pina)

07.05 – Arruda

08.05 – Linha do Tiro

09.05 – Alto José Bonifácio

10.05 – Vila da Felicidade

23.05 – Chico Mendes (Ibura)

24.05 – Dancing Days (Imbirieira)

27.05 – Campina do Barreto

28.05 – Córrego do Eucalipto

29.05 – Boa Ideia

Cremepe e Simepe divulgam balanço geral da Caravana nas Comunidades 2012

Foto: Mayra Rossiter

Na manhã desta quinta-feira (28), as entidades médicas de Pernambuco – Conselho Regional de Medicina e Sindicado dos Médicos – reuniram a imprensa no plenário do Cremepe para apresentar o balanço geral da Caravana nas Comunidades, realizada entre os dias 23 de maio e 15 de junho. A presidente do Conselho, Helena Carneiro Leão, e o presidente do Simepe, Mário Jorge Lôbo, juntamente com os coordenadores do projeto, Rafaela Pacheco e Ricardo Paiva, divulgaram os dados das pesquisas realizadas em 16 bairros do Recife.

O objetivo da Caravana foi conhecer de perto a realidade das comunidades que apresentavam o menor número de IDH (Índice de desenvolvimento humano), além de “dar voz à população sobre as questões do dia a dia”, segundo Ricardo Paiva. A avaliação da saúde, principalmente da atenção básica, centrada na perspectiva do usuário, foi a principal inovação da Caravana deste ano, que já está em sua oitava edição. “O conceito de saúde está diretamente ligado à percepção de felicidade”, constatou Rafaela Pacheco.

Na reunião, o médio fiscal do Cremepe, Otávio Valença, destacou quatro pontos avaliados em relação às unidades de saúde: o uso, o acesso, a longitudinalidade e a coordenação das unidades. A diretora do Simepe, Carla Cristine Bezerra destacou a falta de cuidado do ponto de vista dos trabalhadores nas unidades. “É preciso garantir a continuidade da vinculação desses profissionais. Apesar de os salários serem razoáveis e os vínculos estáveis, a estrutura dos PSFs é ruim, o que faz com que muitos profissionais peçam transferência da comunidade que trabalham há anos”, afirmou.

Baseados no resultado das pesquisas realizadas com os moradores sobre a qualidade dos serviços públicos oferecidos como saúde, educação, transporte, saneamento básico, concluiu-se que o tripé combate à violência e drogas, corrupção e falta de lazer ocupa o topo da lista no quesito insatisfação. De zero a dez, esses itens receberam as seguintes médias gerais, respectivamente: 2,4, 2,6 e 3,2. Além disso, com as pesquisas feitas pelos caravaneiros foi possível destacar que problemas como drogas e violência contra a mulher silenciam uma comunidade. “Percebemos que os moradores da Mustardinha e Coelhos estão amedrontados, talvez por medo de retaliação. É como se nesses lugares houvesse um pacto de silêncio entre os moradores”, afirmou Pacheco.

Outra inovação da Caravana 2012 foram as oficinas de pintura e grafitagem, onde os moradores puderam mostrar através da arte a realidade que vivem. A ação, muito bem aceita nos bairros, indicou a falta de lazer nesses lugares. “É gritante a necessidade de inserção de arte e cultura nas comunidades”, avaliou a coordenadora Rafaela Pacheco.

Após identificar os problemas, foram desenvolvidas algumas propostas que devem ser apresentadas e discutidas em audiência pública a fim de serem colocadas em prática. Entre elas, estão: a urbanização das comunidades; a garantia da escola pública e unidade de saúde de qualidade; a implementação de uma economia solidária e a promoção de ações de lazer e cultura.

Ainda segundo Rafaela Pacheco as deficiências das comunidades serão listadas e enviadas para os órgãos municipais, estaduais e nacionais. Em relação à saúde pública, “a estratégia de saúde da família existe, porém é insuficiente”, finalizou a coordenadora do projeto.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.

Caravana encerra suas atividades nos bairros do Recife

O médico fiscal do Cremepe, Otávio Valença e o Padre Ricardo Rezende, do Movimento Humanos Direitos, visitaram o PSF da comunidade da Guabiraba.

A Caravana nas Comunidades, realizada pelo Cremepe e Simepe, chegou ao seu destino final na manhã de hoje (15.06). Os bairros visitados foram Guabiraba e Bola na Rede.

O ponto de chegada na comunidade de Guabiraba foi a Unidade de Saúde da Família do Distrito III. As equipes de fiscalização, pesquisa de rua e da oficina de pintura, a partir dalí, tomaram seus rumos e o trabalho foi iniciado.

Os fiscais ouviram os usuários da Unidade, que há pouco mais de 2 meses se encontra em reforma e por esta razão está funcionando em apenas parte da estrutura.

As duas equipes médicas se revezam no atendimento à população. Em função das obras na estrutura, há apenas uma sala disponível para o atendimento de cerca de 5 mil moradores por mês. O espaço dedicado à realizar curativos é dividido também para a coleta de sangue. As visitas domiciliares foram itensificadas.

De acordo com o fiscal da Caravana, Otávio Valença,  há pontos positivos e negativos colocados pelos usuários.  “O atendimento ambulatorial é visto com bons olhos entre os moradores, que afirmam ser bem atendidos pelos médicos,  no entanto a estrutura da unidade é inadequada e repercute em reclamações com respeito às condições de espera, o ambiente é sem ventilação e também há a dificuldade na marcação de consultas”, afirmou.

Otávio identificou ainda que há dificuldade na dispensação de medicamentos. “Muitas vezes falta o remédio receitado e os pacientes precisam comprar fora”, registrou.

Marinês Pereira, de 23 anos, destacou as dificuldades encontradas na unidade mas reforçou o diagnóstico observado pelos fiscais no tocante ao atendimento da equipe. “Sempre quando eu venho sou bem atendida”, assegurou Marinês.

A equipe de rua conversou com os moradores e ouviu relatos sobre um problema que tem se alastrado e que foi observado em todas as comunidades visitadas: as drogas.

Não foi identificada nenhuma política voltada para o combate do uso de entorpecente e os comunitários se queixam da violência imposta pelos usuários e traficantes que rondam a localidade.

Outro quesito reclamado pela população é a falta de orçamento para conter as barreiras que cercam o bairro e colocam em risco a vida dos  moradores, que em períodos de chuva, temem pela queda destas encostas. Além disso falta limpeza dos canais e um melhor saneamento básico.

Manoel Firmino, 53 anos, morador de Guabiraba há 40 anos, opinou. “O saneamento precisa melhorar muito, mas a coleta de lixo e o transporte público são muito bons e regulares”, disse ele.

Para Jerônimo, líder comunitário, esta iniciativa em ouvir a população é muito importante. “Outras entidades deveriam fazer isso também para informar e pressionar as autoridades para melhorar a vida da gente aqui”, cobrou. jerônimo afirmou que há um projeto, chamado Sementes do Amanhã, desenvolvido na comunidade para ajudar a trabalhar a conscientização contra o preconceito e que proporciona lazer aos jovens e crianças.

A oficina de pintura reuniu crianças no centro do bairro onde foram construídas obras que retratavam a realidade vivida pelos comunitários.

Padre Ricardo Rezende Figueira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos fundadores do Movimento Humanos Direitos, partipou da visita de hoje e parabenizou a ação desenvolvida pelo Conselho e o Sindicato dos Médicos. “Esta iniciativa do Cremepe e Simepe é um exemplo para todo o país porque se aproxima da população e busca levar soluções através do encaminhamento dos problemas encontrados às autoridades competentes”, elogiou.

O idealizador da ação e Conselheiro do Cremepe, Ricardo Paiva define o propósito desta iniciativa. “A pretensão da caravana é ser a voz dos que não tem voz e identificar o que está faltando na comunidade para, como orgão da sociedade civil, levar os diagnósticos para àqueles que são capazes de mudar a realidade destas comunidades”,  concluiu.

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Dever cumprido na comunidade de Bola na Rede

A comunidade de Bola Rede, às margens da BR-101/Norte, no Recife recebeu a Caravana Cremepe/Simepe na manhã ensolarada desta sexta-feira, dia 15 de junho. Era o último dia da 8º edição do projeto das  entidades médicas pernambucana. Antes de chegar à localidade, os caravaneiros passaram pelos bairros dos Aflitos, Casa Amarela, Nova Descoberta, Burity, Macaxeira e Guabiraba. A movimentação era intensa em uma das principais rodovias do Estado. Na entrada da comunidade estão localizadas duas fábricas:  Confiança (biscoitos) e Schincariol (cervejas e refrigerantes), além do clube de campo do Sindsprev, no quilômetro 13. Trecho totalmente pavimentado.

Os caravaneiros chegaram tranquilos por volta das 9h30 e foram logo arregaçando as mangas para o trabalho. Os médicos Silvio Vasconcelos, Válber Stéfano e Shirlene Mafra fiscalizaram a Unidade de Saúde da Família Gilberto Freire que fica na Av. Padre Mosca de Carvalho. Os profissionais médicos identificaram, através de conversa e da aplicação de pesquisa direta, que tanto profissionais como usuários se encontram satisfeitos com o local de atendimento. Os moradores, com raras exceções, quando perguntados sobre o tempo de espera para marcação de consultas, afirmaram que não têm dificuldades. Duas semanas tem sido o tempo médio para consultas.

OFICINA NA CALÇADA

Do lado de fora do prédio, os grafiteiros Gallo e Bonny pediram permissão e conseguiram sinal verde para desenhar e pintar o muro que faz a cercania do prédio da USF, inaugurado em 2001, na gestão do prefeito petista João Paulo. Ao mesmo tempo, eles instalaram a oficina na calçada, lado contrário da igreja católica, uma casinha em azul e  branco.. Aos poucos as crianças foram chegando para fazer seus desenhos. A arte que não ficou apenas no sonho.  Laís, 7 anos,Daiane, 7 anos e  José 11 anos  pegaram papel, lápis, tintas e iluminados pelo sol deram asas à imaginação. Outras chegaram e participaram da atividade. Cerca de 10 crianças. Depois de algum tempo, todos foram para a rua lateral do posto de saúde. Lá tem mais sombra e uma rajada de vento muito  agradável. A mais comunicativa das crianças era Daiane que fez uma árvore e boneca multicoloridas. Impressionou pela firmeza do desenho “ Gosto de  desenhar e pintar. Vocês vão voltar amanhã? ”,  com um  sorriso meigo estampado em seu rosto infantil.

Os grafiteiros pegaram os sprays e soltaram as mãos, utilizando as cores azul, amarelo, verde, marrom e branco. Tudo simples e natural. Sol forte. Temperatura elevada. A curiosidade ficou por conta dos alunos da Escola Estadual Nossa Senhora de Fátima que estavam indo para o estabelecimento. Alguns pararam para ver o trabalho. O aluno Jefferson Silva, 15 anos, ficou por alguns minutos curtindo os traços e retoques da “obra de arte”  no muro. “ Eles  pintam muito bem, com cores alegres e a mensagem é legal: a saúde quem  faz é você ”, afirmou.

O aposentado José Carlos Morais, 64 anos,  morador em Bola da Rede há mais de 20 anos, também parou e falou com Gallo e Bonny.  Para, ele a arte é algo que mexe com a criatividade e emoção do ser humano.  Sobre a comunidade, ele disse que gosta de morar naquela área do Recife. “O transporte, a coleta de lixo e o posto de saúde funcionam, mas uma das coisas que sinto falta é de um espaço para lazer e diversão das crianças ”, frisou.

ENTREGUE À PRÓPRIA SORTE

Nas ruas, a equipe  composta por Ericka Lopes , Eduarda Menezes e Girlene Ribeiro abordou os moradores e mais uma vez o problema “drogas” foi apontado como o mais preocupante também nesta comunidade do Recife, além da  falta de policiamento. Nesse quesito, Bola na Rede  encontra-se entregue à própria sorte. Por sua vez, a jornalista Natália Gadelha fez várias fotografias e colheu depoimentos dos participantes  sobre o trabalho da Caravana. Muito bem.

Segundo a avaliação do diretor do Simepe, Valber Stéfano, a impressão que ficou é  positiva em muitos aspectos sobre a Unidade de Saúde da Família de Bola na Rede. “A gestão municipal conseguiu avançar e depois da fiscalização do Cremepe em 2011, melhorando a estrutura e o atendimento para a população. Todavia, é preciso fazer mais” assinalou.

Na velocidade do tempo o relógio  marcou 12h. É hora de voltar, de recomeçar. Os caravaneiros pegam novamente a estrada. Mais uma edição do projeto Caravana Cremepe/Simepe, desta feita a oitava chega ao seu final. Dever cumprido, consciência tranquila. 16 comunidades visitadas no Recife. Sonhos, desejos, lições, experiências marcadas na vida de cada um. Como diz Beto Guedes “ Todo dia é de viver

Para ser o que for. E ser tudo… (Amor de Indio)

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