Balanço geral é divulgado pelo Cremepe e Simepe

Foto: Maria Eduarda Vaz

A sétima edição da Caravana Cremepe/Simepe percorreu os 52 municípios do Sertão pernambucano e constatou a precariedade de vida da população do interior do Estado. Foi essa a conclusão dos caravaneiros. O balanço geral da Caravana, divulgado ontem (29/08) pelo Conselho Regional de Medicina e Sindicato dos Médicos de Pernambuco, mostra essa realidade.

Cerca de 9 mil pessoas foram questionadas acerca da qualidade de vida nos municípios e a média das respostas foi 5,4 – em uma escala de zero a dez. Os 40 integrantes da Caravana encontraram hospitais, PSFs e postos de saúde precários, falta de água e coleta de lixo, estradas ruins, violência e o uso disseminado de drogas.

A falta de estrutura ficou evidente, mais uma vez. “As estradas são de péssima qualidade e nós tivemos muita dificuldade de acesso”, afirmou a presidente do Cremepe, Helena Carneiro Leão. “Alguma equipes, inclusive, tiveram de mudar de carro devido a problemas mecânicos causados pelos buracos. Isso torna o transporte de pacientes muito difícil e sofrido”, ressaltou.

Para a diretora de Políticas Públicas do Simepe, Rafaela Pacheco, “o que chama mais atenção é a ociosidade dos serviços municipais de saúde. Faltam médicos e uma política pública que garanta uma carreira SUS e que estimule a fixação desses profissionais nos municípios mais afastados.”

“Apesar de ficar só meio expediente em cada cidade, a Caravana causa uma grande repercussão. Não temos a pretensão de mudar a realidade, mas o fato dela causar uma mobilização naquela localidade e os desdobramentos dela já faz com a Caravana cumpra seu papel”, concluiu o coordenador da iniciativa, Ricardo Paiva.

Todos os dados coletados pelos caravaneiros farão parte de um relatório, que está sendo feito e será disponibilizado aos cidadãos, bem como aos gestores públicos.

A sétima edição da Caravana percorreu todo o interior do Estado e, nesse perfil, chegou ao fim. A partir de 2012, ela percorrerá comunidades carentes do Recife e coletará informações da população.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.

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Em Quixaba, um “hospital de mentira” e moradores insatisfeitos com a situação política

Por Flávia Albuquerque

E o grupo quatro chega ao município de Quixaba, último a ser visitado pela Caravana 2011. E qual a nossa surpresa quando descobrimos que a cidade, que tem 6.000 habitantes, não dispõe de uma unidade de pronto atendimento. Além de um PSF, em Quixaba, a única unidade hospitalar é o Centro Médico Maria Alves dos Santos. Lá, não são realizadas internações, não tem dentista e os demais médicos só atendem um turno por dia apenas de segunda a sexta. Todos os pacientes do município são encaminhados para Afogados da Ingazeira, que fica a aproximadamente 30 minutos de distância.

Com uma situação dessas, os moradores não podiam escolher outro serviço, a não ser o da saúde, como o pior do município. Apesar de pequena, em Quixaba precebe-se uma mobilização entre os moradores. Eles se queixam da política local e afirmam que o Centro Médico é um hospital de mentira e que não passa de uma casa onde, uma vez perdida aparece algum médico para prestar atendimento.

No Centro Médico a fiscalização encontrou a maioria dos espaços vazios, sinalizações erradas, uma sala de vacina inadequada, que não dispunha de geladeiras com controle de temperatura. O único serviço que parecia funcionar era o de fisioterapia, já que médica fiscal Cláudia Andrade pôde conhecer o médico e percebeu que os equipamentos estavam sendo utilizados com frequencia e passavam por manutenção.

O PSF do município também é precário. Médico, só três vezes na semana. O prédio é alugado e não tem estrutura para atender a população. Victor Rocha, da fiscalização, percebeu que a equipe estava sobrecarregada e o motivo é exatamente a ausência de um hospital na cidade. Além disso, notou que a presença de médicos estrangeiros é comum na unidade, que recebe, principalmente, profissionais cubanos.

POPULAÇÃO INSATISFEITA – Nas ruas de Quixaba foi possível perceber que os moradores estavam muito insatisfeitos com a atual situação do município. Eles se queixam do prefeito que está há 18 anos no poder (o município foi emancipado há 19 anos, quando foi desmembrado de Carnaíba). Demonstrando sua insatisfação e deixando claro que estão prontos para mudar a realidade da cidade, moradores criaram um AA, estão discutindo mais os problemas locais e aproveitando a única coisa que afirmam ser de qualidade: a educação. No debate, essa situação ficou ainda mais clara. Eles reclamavam da falta de oportunidades de emprego, do consumo de drogas que está aumentando cada vez mais, os casos de prostituição infantil e homicídios que são de conhecimento geral, porém, ignorados pela gestão.

Grupo 5 – Amizade, respeito e cumplicidade

A união marcou esse grupo de caravaneiros

Por Chico Carlos

Até aqui viajamos juntos nessa Caravana Cremepe-Simepe
Pelo retrovisor de nosso microônibus passaram vilas, cidades, rios, riachos, lagoas, montanhas  e matas. Foram  grandes obstáculos. Todos superados graças a Deus.
Freqüentes foram as subidas e descidas. Juntos, percorremos retas e, buracos, Sofremos  sacolejos, nos apoiamos nas curvas, descobrimos cidades, conhecemos pessoas – crianças, adolescentes e idosos. Nossa gente sertaneja. Mulheres que,na entressafra assumem o compromisso de ser mãe e pai. Passam dias e contam as horas para chegada de seus maridos. Vimos a luta de um povo que sonha em dias melhores no Sertão Pajeú. Vimos o sofrimento e a miséria social dessa gente que, apesar de tudo, inicia uma escalada de superação.

 Chegou o momento de cada um seguir viagem  sozinho. É a vida!
Que as experiências compartilhadas no percurso até aqui sejam a alavanca para  alcançarmos a alegria de chegar ao destino de nossos lares.
A nossa saudade e a nossa esperança de um reencontro breve.
O nosso agradecimento àqueles que, sempre presentes, nos quiseram bem e nos apoiaram em todos os momentos. Energias e fluídos positivos. Brincamos, cantamos e sorrimos juntos. Compartilhamos sonhos e pensamentos, vivemos a vida. Graças a Deus. Amanhã, será um  outro dia e muito melhor!
Vamos dividir para somar melhor os méritos desta Caravana vitoriosa, porque ela também pertence a todos vocês. Uma despedida é necessária antes de podermos nos encontrar outra vez. Que nossas despedidas sejam um eterno reencontro.

Obrigado gente:

Mario Fernando Lins, Andréa Ribeiro, José Tenório, Verônica Cisneiros, Shirlene Mafra,Erica Lopes, Rosemberg  da Silva, Alysson Magno Silva, José Aguinaldo  Junior, Chico Carlos e os nossos motoristas: Carvalho, Flávio Nunes e Junior.

“Amigo a gente encontra. O mundo não é só aqui. Repare naquela estrada que distância nos levará…”

Secretário de Saúde de São José do Belmonte afirma que “médico faz mal à saúde”

Belmonte - debate com pouca gente e secretário ausente

São José do Belmonte – O último dia da 7ª edição da Caravana Cremepe/Simepe pelo sertão do Estado começou pelo município de São José do Belmonte. Os integrantes da caravana passaram por uma situação constrangedora proporcionada pelo secretário de Saúde do município. Clênio Novaes, que é médico veterinário, não participou dos debates promovidos após a exibição do filme Pela vida… Pelo tempo. Ao chegar ao local do debate só após o término da atividade, o secretário afirmou que “médico faz mal à saúde”. A afirmação foi feita durante uma conversa com o Secretário-geral do Cremepe, Dr. Luiz Domingues, e a Dra. Maria Aléssio, médica fiscal da entidade.

O secretário fez a afirmação no momento em que tentava justificar a péssima situação em que se encontram diversos serviços de saúde do município. A começar pelo atendimento proporcionado à população pela Unidade Mista Auta Magalhães. Os profissionais que atuam na unidade não são capacitados, não há médicos todos os dias, só há enfermeira três dias por semana e o que é pior: os equipamentos da emergência encontram-se espalhados por locais que nem os funcionários sabiam exatamente onde estavam. Desfibrilador, laringoscópio, medicação e os tubos utilizados nos serviços de reanimação não têm o prazer de se encontrar em um mesmo setor da unidade, uma negligência que põe em risco o paciente que precisar de socorro imediato.

O Programa de Saúde da Família (PSF) é outra ação precária em São José do Belmonte. O serviço não tem médico, não há material para curativos, não há capacitação de pessoal realizada na própria cidade, não há local adequado para armazenamento de material pérfuro-cortante e o programa é completamente desterritorializado, sem segmentação ou controle, o que faz com que a população seja atendida de forma espontânea, com qualquer problema, de todo jeito. No debate promovido pela Caravana Cremepe/Simepe não apareceu sequer um agente de saúde para explicar a situação complicada do PSF. Moradores denunciaram que a falta de atenção aos bairros mais pobres tem provocado graves problemas de saúde, como no caso de uma garota de nome Lígia, da Vila Carolina, que contraiu leptospirose e está internada no Hospital Regional de Palmares, Mata Sul do estado.

De acordo com Dr. Luiz Domingues, o debate ainda foi prejudicado pela pouca participação da população local, com informações originadas apenas por integrantes da Secretaria Municipal de Educação. O município conta com 64 escolas municipais e três estaduais, num total de 6.600 alunos. O índice de desemprego é alto, com sua economia dependendo predominantemente da agricultura e da pecuária. Poucos trabalhadores foram contratados para as obras da Ferrovia Transnordestina, que passa próximo à entrada da cidade.

Grande fluxo no hospital de Afogados

Hospital Emília Câmara recebe pacientes de 12 municípios vizinhos

Por Flávia Albuquerque

O Hospital Regional Emília Câmara é referência no sertão de Pernambuco. A unidade atende, além dos pacientes do próprio município, uma demanda, em sua maioria espontânea de aproximadamente 12 cidades vizinhas. O hospital é bastante amplo e realiza entre 40 e 60 atendimentos a cada 12 horas. Durante a visita a fiscalização ouviu dos funcionários que a falta de pediatra é um dos grandes problemas enfrentados no município.

Outro problema encontrado pela fiscalização é a falta do setor de triagem, o que dificulta o acesso dos pacientes na unidade de saúde. Além disso, alguns equipamentos estavam em falta e, mesmo com o grande fluxo recebido, ainda foram encontrados alguns leitos sem uso.

O principal PSF do município, localizado em São Francisco, funcionava mais como um anexo do hospital. “O prédio não foi construído para ser uma Unidade da Família, por isso a ideia do projeto pareceu ter sido distorcida”, observou o médico fiscal Victor Rocha. A unidade atendia por sistemas de ficha e funcionada a partir das cinco horas da manhã.

DEBATE – O debate ocorreu no Centro Tecnológico de Afogados e teve a participação de Ricardo Paiva, coordenador da Caravana Cremepe – Simepe 2011. Aproximadamente 80 pessoas participaram e discutiram sobre os casos de abuso sexual que ocorrem frequentemente na região. Uma das adolescentes que estava presente tomou a palavra para revelar que já fora espancada pelos pais.

Farmácia do hospital chama a atenção pela falta de organização

Na farmácia a fiscal identificou falhas no armazenamento das medicações

Por Flávia Albuquerque

Na visita a Unidade Mista Benvinda Brito Galvão, a médica fiscal constatou que os equipamentos estavam armazenados inadequadamente e os materiais da emergência estavam todos desligados, o que impediu que fosse verificado se eles realmente estavam funcionando. “A farmácia é pobre. Faltavam vários medicamentos e sinalização estava muito confusa. O farmacêutico só está lá duas vezes por mês”, contou Dra. Cláudia Andrade.

 A unidade apresenta uma estrutura precária, em quase todas as salas as paredes estavam danificadas, aranhas e grilos foram encontrados na emergência e na sala do teste do pezinho. “Vários setores eram confusos. O posto de enfermagem não funcionava mais, a lavanderia e o CME dividiam p mesmo espaço”, destacou a médica fiscal.

Assim como em outros municípios visitados pela Caravana, o alto índice de gravidez na adolescência foi um dos assuntos mais comentados nas ruas de Ingazeira. O município é muito pequeno, tem aproximadamente 4.500 habitantes e outra das reclamações da população é dificuldade de se conseguir um emprego.

Durante o debate, os poucos que participaram (27 pessoas, apenas seis adultos) fizeram várias reclamações sobre o sistema de saúde da região. Queixas sobre a ausência de médicos, que só estão no hospital durante um turno. Além disso, discutiram sobre o alto índice de alcoolismo entre os adolescentes e a prostituição infantil que cresce a cada momento.