É preciso saber viver a realidade no Alto José Bonifácio

Alto José Bonifácio. Foto: Antonio Douglas / Simepe

Alto José Bonifácio. Foto: Antonio Douglas / Simepe

Nesta quinta-feira, 09 de maio, a Caravana nas Comunidades esteve no bairro do Alto José Bonifácio, Zona Norte do Recife. O Alto José Bonifácio foi desmembrado de Casa Amarela e oficialmente declarado como bairro através da Lei municipal 14.452, de 1988, que redefiniu as coordenadas geográficas e criou os atuais 94 bairros da cidade.  A ocupação do Alto José Bonifácio se deu como a da maioria dos morros da região de Casa Amarela: começou no início do século XX, a partir do aluguel do chão feito por algumas famílias que eram grandes proprietárias de terras no local. Histórias de lutas marcaram a vida da população.

O relógio marcou 15h25, quando a equipe de caravaneiros chegou à comunidade, mais precisamente à Unidade de Saúde da Família Dr. Alcides Codeceira, localizada à Praça Visconde de Sá Bandeira. A unidade foi, inaugurada em 1990 e reformada em 1998.

A equipe observou que as condições de espaço físico e de atendimento aos moradores são precárias.  O espaço e estrutura do laboratório e da sala de vacinação são inadequados. Precisa melhorar e muito. A unidade possui três equipes médicas e 18 agentes de saúde para atender e acompanhar cerca de 3.500 famílias.

Atendimento de saúde

Dona Judite Santana, 70, moradora na localidade há 45 anos, disse que era bem atendida no centro de saúde e que recebia os medicamentos prescritos pela médica. “Aqui tem suas limitações para nos atender em casos de emergência. Mas, resolve em outros” comentou.  Para Simone Dias, 28, o atendimento na área de saúde no Alto José Bonifácio deixa a desejar, ou seja, não é 100%. “Sempre falta alguma coisa. No entanto, a gente não tem outra alternativa. A crise na saúde não é apenas aqui”, afirmou.

Os pesquisadores saíram às ruas para aplicar os questionários de avalição dos serviços prestados à comunidade. A maioria gosta da localidade e, sobretudo, do pequeno comércio que atende a todos.  Mas, reclamaram da violência e do lixo espalhado em trechos do bairro. Do outro lado da avenida principal, o grupo de teatro de rua reunia crianças e adultos em frente à Biblioteca Comunitária Amigos da Leitura” para contar histórias, divertir e conscientizar, com alegria e humor.

Hoje, a biblioteca ocupa o espaço que. no passado foi do clube de futebol Onze Belmonte, conhecido na região por suas festas populares, e faz parte da rede de bibliotecas comunitárias.  O coordenador do projeto na comunidade, Fábio Rogério, informou que atende o público em geral, com prioridade para as crianças, de segunda à sábado em horário comercial.  “Nossos objetivos são de estimular a imaginação e a criatividade como formas de expressão, desenvolver as aptidões de leitura, escrita e escuta, despertar o desejo de ler, escrever, expressar-se, além de promover oficinas sócio-educativas e culturais, e favorecer o fortalecimento das relações, família e comunidade”, destacou.

Lição de realidade

A comunicação rola solta no ar. Uma pequena plateia assiste a encenação do teatro de rua. Ator e atrizes transformam os assuntos como violência contra a mulher, abuso de bebidas, uso de drogas e valorização da mulher, em mais uma lição de vida. Crianças e adultos se divertiram muito. Ao final, muitos aplausos para todos (as). O estudante Eduardo Pereira, 16, ficou feliz com o que viu. “Gostei e aprendi com a turma do teatro. Coisas simples, mas importantes como por exemplo: a violência doméstica, o uso de bebidas e drogas, só trazem problemas dentro e fora de casa”. assinalou. Bem próximo da quadra de esportes, a música da banda Titãs tocava no rádio do taxi.    “Quem espera que a vida. Seja feita de ilusão. Pode até ficar maluco.Ou morrer na solidão. É preciso ter cuidado. Pra mais tarde não sofrer. É preciso saber viver”. A Caravana nas Comunidades mostrou que viver, sobreviver e modificar a dura realidade não são tarefas fáceis. Tudo da vontade de cada um.

A saúde é um direito básico de toda a população, garantido pela constituição brasileira. O artigo 196 da Constituição Federal é bem claro” A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”  Mas na prática, precisar de atendimento médico, exames e medicamentos nas Unidades de Saúde da Família não é tão simples quanto deveria. Filas falta de estrutura e de profissionais são alguns problemas enfrentados pelos moradores do Alto José Bonifácio.

O sol caminhou para o entardecer. O tempo girou e apontou 16h45. É hora de voltar para a sede do Cremepe, no Espinheiro, conscientes de que mais uma etapa foi superada.

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