Conhecendo a Zona da Mata pernambucana

Raízes históricas

A Zona da Mata de Pernambuco é composta por 43 municípios, ocupando uma área de 8.738 km2, correspondente a 8,9% do território estadual e estando situada entre os meridianos de 34°80′ e 30°20′ Oeste de Greenwich e os paralelos 8º20′ e 9°00′ Sul . Até bem pouco tempo, a maior parte desta área era referida como “região canavieira”. É uma das Regiões de maior potencial econômico do Nordeste, pelos recursos naturais disponíveis (água, solo, etc.), pelas vantagens locacionais (em torno da Região Metropolitana do Recife), com razoável infra-estrutura econômica (estradas, portos marítimos, aeroportos) e abundante contingente de mão-de-obra. No último censo demográfico, a sua população era de 1.132.544 habitantes, equivalendo a 15,9% da população do estado, dos quais 62% se encontravam na zona urbana. Nessa Região concentra-se a monocultura canavieira, que, em uma área de aproximadamente 450 mil hectares, chegou a empregar em épocas de safra, mais de 200 mil pessoas.

cana

O Setor Canavieiro de Pernambuco, no entanto, não conseguiu estabelecer um processo de desenvolvimento dinâmico como, por exemplo, o ocorrido em São Paulo. Por razões históricas de sua formação, com raízes coloniais que remontam ao Século XVI, continuou nas mãos da oligarquia latifundiária, que usa a terra como base de poder. O monopólio da terra garantiu a monocultura canavieira e inibiu o surgimento de outras atividades econômicas, gerando problemas estruturais, tias como: desemprego (estrutural e sazonal) e subemprego, déficits sociais elevados e a degradação do meio natural.

Com a implantação do PROALCOOL, programa do Governo Federal, na década de 70, ampliou-se a plantação de cana em áreas de solos e relevo não adequados à cultura, agravando as dificuldades crônicas de baixa produtividade agrícola (por atraso tecnológico). Com efeito, a baixa produtividade média de 47 t/ha (contra 70 t/ha em São Paulo) pode ser explicada pela defasagem de vários componentes tecnológicos, que vão desde a utilização de certas variedades de baixo potencial produtivo, em mais da metade da área plantada, até a ausência de certas tecnologias biológico-químicas, passando pela não utilização da mecanização em cerca de 85% da área.

Outro efeito negativo do PROALCOOL foi a drástica redução das pequenas áreas exploradas com culturas alimentares (mandioca, inhame, batata-doce, feijão e milho), e algumas espécies frutíferas. Só mais recentemente, diante do agravamento das dificuldades do setor canavieiro, é que se observa uma tendência para a retomada dessas iniciativas de diversificação das atividades agrícolas. Na orla litorânea, em áreas não atingidas pela especulação imobiliária, é encontrado o coqueiro gigante em formações espontâneas ou lavouras comerciais.

Também, as práticas gerenciais e tecnológicas, em utilização pela grande maioria das unidades de fabricação, permanecem em níveis incompatíveis com as de seus concorrentes localizados no Centro-Sul do país. Após a introdução do engenho a vapor no processo de fabricação do açúcar no final do século XIX, somente na década de 70 voltaram a ocorrer investimentos significativos na modernização da indústria canavieira, orientados, principalmente, para a produção de álcool. Após esse período, apenas uma ou outra empresa isoladamente investiu fortemente em suas unidades de fabricação.

Há, porém, um consenso entre os estudiosos da questão açucareira de Pernambuco de que as políticas paternalistas adotadas a partir da década de 30, contribuíram para a defasagem tecnológica ocorrida no Nordeste ante os seus competidores paulistas, principalmente.

Leia matéria completa no link http://www.ancora.org.br/textos/011_jansen-mafra.html

Fonte: Equipe de Projetos da Âncora.
Redatores: Wilame Jansen e Rivaldo Mafra.

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