Em Quixaba, um “hospital de mentira” e moradores insatisfeitos com a situação política

Por Flávia Albuquerque

E o grupo quatro chega ao município de Quixaba, último a ser visitado pela Caravana 2011. E qual a nossa surpresa quando descobrimos que a cidade, que tem 6.000 habitantes, não dispõe de uma unidade de pronto atendimento. Além de um PSF, em Quixaba, a única unidade hospitalar é o Centro Médico Maria Alves dos Santos. Lá, não são realizadas internações, não tem dentista e os demais médicos só atendem um turno por dia apenas de segunda a sexta. Todos os pacientes do município são encaminhados para Afogados da Ingazeira, que fica a aproximadamente 30 minutos de distância.

Com uma situação dessas, os moradores não podiam escolher outro serviço, a não ser o da saúde, como o pior do município. Apesar de pequena, em Quixaba precebe-se uma mobilização entre os moradores. Eles se queixam da política local e afirmam que o Centro Médico é um hospital de mentira e que não passa de uma casa onde, uma vez perdida aparece algum médico para prestar atendimento.

No Centro Médico a fiscalização encontrou a maioria dos espaços vazios, sinalizações erradas, uma sala de vacina inadequada, que não dispunha de geladeiras com controle de temperatura. O único serviço que parecia funcionar era o de fisioterapia, já que médica fiscal Cláudia Andrade pôde conhecer o médico e percebeu que os equipamentos estavam sendo utilizados com frequencia e passavam por manutenção.

O PSF do município também é precário. Médico, só três vezes na semana. O prédio é alugado e não tem estrutura para atender a população. Victor Rocha, da fiscalização, percebeu que a equipe estava sobrecarregada e o motivo é exatamente a ausência de um hospital na cidade. Além disso, notou que a presença de médicos estrangeiros é comum na unidade, que recebe, principalmente, profissionais cubanos.

POPULAÇÃO INSATISFEITA – Nas ruas de Quixaba foi possível perceber que os moradores estavam muito insatisfeitos com a atual situação do município. Eles se queixam do prefeito que está há 18 anos no poder (o município foi emancipado há 19 anos, quando foi desmembrado de Carnaíba). Demonstrando sua insatisfação e deixando claro que estão prontos para mudar a realidade da cidade, moradores criaram um AA, estão discutindo mais os problemas locais e aproveitando a única coisa que afirmam ser de qualidade: a educação. No debate, essa situação ficou ainda mais clara. Eles reclamavam da falta de oportunidades de emprego, do consumo de drogas que está aumentando cada vez mais, os casos de prostituição infantil e homicídios que são de conhecimento geral, porém, ignorados pela gestão.

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