
Pinturas alusivas ao rock em Xexéu.
Dizer que o rock é universal, tem linguagem única, é expressão, comportamento e liberdade é chover no molhado. Curtir rock é não apenas um privilégio apenas de quem mora em Londres, Novo Iorque, Paris, Roma, São Paulo, Rio de Janeiro, etc.
Há mais de 50 anos o rock invadiu corações e mentes e está presente até mesmo em Xexéu (veja foto) que fica a 135 km do Recife, Zona da Mata Sul, numa área de divisa entre Pernambuco e Alagoas, próximo aos municípios de Palmares, Maraial e Água Preta. De acordo com o IBGE, Xexéu tem 14.779 habitantes. Em uma das casas localizadas no centro da cidade, próxima à Camara Municipal de Vereadores, o mural em forma de publicidade mostra que o rock sobreviveu mesmo depois do Carnaval (há! há! há.)
Tudo muito bom, tudo muito bem. Quase vizinho ao Posto de Saúde da Família (PSF1) – Benedito Lopes de Lima – na comunidade chamada de Nova Xexéu, tem um pequeno canal, onde os esgotos correm à ceu aberto. Nesse trecho não existe rede de esgoto, daí os dejetos são lançados pelas casas instaladas naquela área. Falta de educação? Talvez sim, talvez não. É melhor dizer que falta investimentos por parte da Prefeitura Municipal. A fedentina é insuportável e assusta a qualquer visitante.
Sem querer mudar de assunto, nos últimos dias, a cidade virou manchete policial. Pois é o Instituto de Criminalística (IC) já periciou o carro do delegado Fernando Machado, assassinado a tiros no último domingo, em Palmares. A polícia localizou o veículo anteontem à noite, abandonado em um canavial em Xexéu, município próximo à divisa de Pernambuco com Alagoas, na mesma região do crime. No Polo Sedan preto, placa KHQ-8529.
Xexéu tornou-se um município em 01 de outubro de 1991, através da lei estadual nº 10.621, expressa simplicidade e hospitalidade. Pra quem não sabe a cidade é uma homenagem ao pássaro conhecido por xexéu, de canto harmonioso, comum no lugar em tempos passados. E pra os desavisados de plantão o cidadão que nasce em Xexéu é Xexeuense. A população é simples, hospitaleira e algo mais, sem dúvida alguma.O prefeito Gessino Gonçalves (PSB), o Gel, com 23 anos, estudante do Direito, é considerado o mais jovem do Estado, tem um grande desafio pela frente: administrar Xexéu e melhorar a qualidade de vida do povo. Começar com ações estruturadoras nas áreas de Educação e Saúde deve ser o começo de tudo. Sem esquecer que lá tem muita gente curtindo e amando o rock do jeito que ele é, apesar do canal à céu aberto.
Depois a gente fala sobre a visita ao Posto de Saúde da Família (PSF1)- Benedito Lopes de Lima, considerado modelo pela Secretaria de Saúde. Mas, nem tudo são flores.
PSF MODELO? – A Unidade do Programa de Saúde de Família (PSF1) – Benedito Lopes de Lima – na comunidade chamada de Nova Xexéu, foi visitada durante a Caravana do Cremepe-Simepe, segunda-feira (23/03) ao município de Xexéu. Considerada como modelo pela Secretaria Municipal de Saúde, a unidade apresenta setores insalubres: salas sem ventilação ambiente (natural), sem ar condicionado e ventilador em precárias condições na sala de enfermaria. Os sanitários não têm acessibilidade para os portadores de deficiência; o sanitário dos funcionários está com a porta quebrada e apodrecida. Há mofo nas paredes das salas de vacina e consultório dentário que está relativamente bem aparelhado. Alguns móveis e equipamentos estão em péssimas condições.
Na verdade, a estrutura e organização do atendimento está voltada para atividades comunitárias e educativas, quando o mais importante dentro do Programa de Saúde da Família deve ser preventiva, de promoção efetiva à saúde. Observou-se ainda que, no PSF 1 de Xexéu, existem avanços em relação ao atendimento de fisioterapia, fonoaudiologia, assistência social.
No geral, quatro mil famílias são atendidas pela equipe de profissionais, com o suporte das agentes comunitárias de saúde. O atendimento médico no PSF, por turno é de 35 pessoas em média “Qual é a qualidade desse atendimento? Mesmo sabendo que o atendimento é feito por um profissional experiente”, comentou a diretora do Simepe, Cláudia Beatriz.
Em sua opinião, o problema é a filosofia do programa não está sendo praticada, uma vez que falta discutir em equipe a proposta para a comunidade. É tratar doença ou cuidar da prevenção? É apenas cumprir um ciclo?
Outro fato que chamou atenção diz respeito ao acondicionamento do lixo e do material infectante em sacos normais. Ninguém soube explicar como é feita a retirada desses resíduos, ou pra onde vai e o destino dele.
Além disso, o local não tem central de material de esterilização. Tudo que é contaminado vai em caixa comum pra um hospital para ser lavado. Isso é muito perigoso pra quem não tem conhecimento do que está na caixa. Como diz o ditado popular: “É melhor prevenir do que remediar”.
TEXTO E FOTO: Chico Carlos, enviado especial da Caravana Cremepe-Simepe.